segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Hoje é amanhã (ou nunca deixe seu filho perguntar sobre o tempo)

Um dia, há um tempo, minha mãe tava colocando eu e meu irmão pra dormir. Meu irmão, com uns 5 ou 6 anos ou algo assim, tava naquela fase de ficar perguntando sobre Tudo que Existe e Acontece no Planeta Terra (fora dele também). Eram umas 11 horas, ou 11 horas e 35 minutos ou algo assim, e não tínhamos aula no outro dia. A pergunta que meu irmão fez naquela hora me deixou encabulada até hoje e vai deixar até quando eu tiver 67 ou 68 anos (ou algo assim): Mãe, hoje é amanhã?

Eu reflito, reflito e reflito, e nao deixo de pensar no peso dessa pergunta. Afinal, o que diabos define onde um dia termina e outro começa? Ô assunto delicado, viu. E meu irmão achou esse tema ideal pra se perguntar antes de dormir. Bom, eu teria pesadelos pensando numa resposta decente, se fosse a minha mãe. Deveria ter uma lei para os filhos nunca perguntarem sobre tempo e afins pros pais. Isso pode fazê-los achar que seus pais são burros e que o mundo é cheio de coisas inexplicáveis, o que pode ser verdade, mas só às vezes. O dia acaba quando a gente dorme, e começa quando a gente acorda, por isso que a gente não pode dormir de tarde. Era o que eu teria respondido na hora. Mas hoje, minha cabeça encuca. Eu não consigo compreender a passagem de tempo, e é difícil achar quem compreenda.

Provavelmente o que eu teria dito tivesse sido mais útil do que a resposta que foi dada pela minha mãe. Enquanto eu encuquei com essa dúvida pro resto da minha vida, minha mãe simplesmente respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo: Filho, hoje é hoje, e amanhã é amanhã!

Um comentário:

  1. "enquanto eu não dormir e acordar, hoje vai ser sempre hoje."

    nessa situação, é sempre o melhor comentário do mundo, não é?

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